Tudo junto e separado

SaudadeVivemos sabendo que a qualquer momento tudo pode acabar, mesmo que às vezes preferimos fazer de conta que certas coisas são eternas. As verdades não são eternas, as mentiras muito menos. A vida não é eterna, as pessoas que passam por elas, essas que não são mesmo. Mesmo assim vivemos como se nossos relacionamentos fossem para sempre, talvez porque essa seja a melhor ou única maneira de vivê-los intensamente. Nem todo relacionamento tem um começo, mas todos têm um fim. Seja por inanição ou hipernutrição. Seja pela chegada de alguém ou a partida do outro. E quando acaba vem a dor, uma dor que sempre tem que vir, uma dor vital, que presta respeito ao sentimento que nasceu e que não necessariamente morreu. O peito dói, como se o coração rastejasse procurando um lugar aonde descansar.
O tempo que passaram juntos é irrelevante, uma medida tão inútil quanto o numero de palavras de um livro. O tempo de dura ção da dor, esse é impossível de prever. Saiba que as paixões de verdade você não esquece, desaprende a gostar. Todas as paixões ficam como antigas tatuagens, algumas desbotadas, indiferentes, nem lembramos ao certo porque fizemos aquilo. Outras ficam com carinho mesmo que escondidas, as vezes gostamos de olhar par elas e relembrar, coseparaçãomo um artista ao ver os cartazes de suas peças passadas. A maneira como acaba é um reflexo do que significou, então que enfrentemos esses momentos com a honradez necessária em homenagem a tudo que sentimos.
O que deve durar vai durar, o que acabou deve acabar. Temos o direito ao choro, ao sofrer e à conversa, mas não ao implorar. A única prova de que o fim chegou no momento certo é o tempo e a distância. O coração quando respira pode sentir o que tem dentro de si. E se essa relação foi cortada precipitadamente por um capricho do destino, caso ela tenha a força que é necsingingessária, tudo volta aonde deve estar. E se realmente era o fim, tudo que acaba trás junto um novo começo. A vida é uma grande dança aonde buscamos um par, porém não faz mal arriscarmos alguns passos sozinhos. Perder alguém nos faz perceber que a vida realmente não faz sentido em solidão, mas a vida não precisa fazer sentido o tempo todo.

Santiago de Compostela que nada, eu quero é Porto de Galinhas

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Todo mundo tem vontade de fazer, ou ser alguma coisa. Eu não, todas as coisas que achei que queria fazer, ao chegar mais perto percebi que eram errôneas. Nunca tive vocação pra nada, só capacidade pra muito. O que por si só é inútil. Tenho uma relação com a leitura desde bem novo, Monteiro Lobato me mostrou um mundo muito mais divertido que o meu, cheguei até a ter uma paixão imaginaria platônica pela Narizinho. Apos ter digerido Lobato continuei, Coleção Vaga-lume, Paulo Coelho (sim eu li), Comic Books (Yes! eu leio), Sidney Sheldon, Tolkien. Meu apetite por livros me tornou uma criança não exatamente normal. Então cresci de certa forma frustrado, pois me dividia entre a realidade e a ficção. Na minha adolescência descobri a poesia, Manuel Bandeira, Fernando Pessoa, Mario Quintana, etc.. Como todo adolescente amorosamente frustrado me inventei poeta. Escrevi algumas dúzias de poemas apaixonados e poeticamente mal escritos, os quais enviava às minhas paixões, não enxergando a inutilidade desse ato. Mantive-me nessa fase enquanto descobria as bebidas, mulheres e a boêmia do inicio da minha vida universitária. Vi que nem tudo são flores, mas que os prazeres da vida são mais fáceis de alcançar do que parecia. Decepcionei-me com minha opção vocacional, meu caminho mais simples, seguro e natural, o qual acreditei que resolveria todos meus problemas. Fiquei perdido, sem saber para quê estava aqui, por que estava aqui, e o pior, o quê fazer aqui. Resolvi aprofundar meus pensamentos, Aristóteles, Nietzsche,Porto de Galinhas Mencken, Oscar Wilde, Guimarães Rosa, etc.. Enchi minha mente de pensamentos, ideais antigas, novas, controversas e contraditórias, algumas lógicas, outras de pura fé. Tentando assim me achar em alguma teoria, procurando um sentido que não existe, mas que poderia me satisfazer. E com tudo isso cansei de ouvir. As palavras alheias já não me dizem tudo. Finalmente descobri o único talento que todos precisamos, como pensar.

Subitamente quis escrever, quis dizer o que penso, dizer o que quero, ou talvez o que os outros precisam ouvir. Poemas? Não, esse não era mais eu. Quero escrever apenas, textos, sem rótulos, ou classificações literárias. Onde? Livros? Ninguém séria louco de publicar. Jornais? Idem. Descobri a internet como meio de expressão, primeiro o Twitter e seus micros pensamentos expressos e através das pessoas que mais me identificava por lá cheguei aos Blogs. Percebi que grande parte dos que tinham algo realmente relevante a dizer cultivavam belos e interessantes Blogs. Criei então o meu Blog, sem saber o que fazia (e continuo sem saber), recebi criticas, percebi indiferença e ouvi elogios. Me senti alguém, me senti satisfeito, mas e agora?

Porque eu quero ir ao “Porto Cai na Rede”, um encontro de 40 dos maiores bloporto1gueiros do Brasil? Entre eles alguns dos mais admirados por mim, mas que não irei puxar saco citar aqui. Bem, estamos falando de Porto de Galinhas! Reconhecida inúmeras vezes como a melhor praia do Brasil. Um lugar de beleza incomparável, cheia de gente interessante, com hotéis e pousadas inacreditáveis, com vários roteiros e atividades bacanas. Porto de Galinha é o lugar, beleza e diversão durante dia e noite. Quer maneira melhor de unir o útil ao agradável? Eu quero entrar em mais uma porta que apareceu no meu caminho. Conhececaminho-de-santiago-de-compostela-3209-40r um dos lugares mais lindos do Brasil, conhecer pessoas, conhecer esse mundo e me conhecer. Nada como estar entre romanos para descobrir se Roma é para você. Paulo Coelho fez o Caminho de Santiago de Compostela, eu quero ir ao "Porto Cai na Rede", cada um tem a trilha de autoconhecimento que merece, e a minha é bem melhor.

A sua verdade

olhos fechados
Pensar, analisar, racionalizar, tristes e deprimentes manias humanas. Nem tudo é para ser dissecado, ne m tudo  deve ser levado até a total luz do conhecimento. As vezes devemos fechar os olhos, para que o coração continue a bater. Quem disse que tudo deve ser tão certo, chato e monótono? Quem disse que o real é sempre o melhor? Como buscar a verdade se ela nunca é única ou absoluta? É como perseguir uma miragem, um sonho utópico. Obviamente não se constrói uma vida sem verdades, mas é impossível impedir que ela desmorone sem mentiras.

Histórica e miticamente atribuímos o pensamento a nossa mente, e ao coração, nosso centro de emoções. Esse coração é como um Oasis em maio ao deserto da lógica e do raciocínio, um local aonde não somos obrimentiragados a engolir as verdades que nos machucam. É essa habilidade de superar a razão pela emoção que torna possível a alegria. Não temos certeza se o amor existe. Mas alguns entendem que a idéia de viver no mundo onde tal sentimento seja inexistente, é dura por demais para ser aceita. E assim acreditam no amor. Outros não aceitam que o universo exista sem a tutela de um Deus. Todos precisamos ter um sentido na vida, precisamos de algum motivo, por mais pífio, simples, banal ou até egoísta que seja. Cultura, filosofia, religião é nisso que buscamos o que não existe, ou não podemos provar, o sentido pra vida. Mas mesmo assim adotamos um e pautamos nossa vida nele. Não importa, não existem melhores motivos para viver, mas talvez existam piores.

Quando mais encaramos e aceitamos os fatos tristes da vida, mais duros e amargurados nos tornamos. Se pas080121-mlk-vmed-6a.widecsarmos a analisar tudo a vida perde o sabor e somente sobra a rigidez dos fatos. Verdade? Que verdade é essa que me faz mal, que me torna mesquinho, vazio e frio. Não obrigado, alguma dúvidas tem de ser aceitas para que queime a vontade de viver. Deixe a verdade pura para quem não vê graça na vida. Para que ao por do sol, ainda desejemos o seu nascer. Escolha sua verdade, sabiamente. Não viva em um mundo de fantasias, mas também não aceite o mundo como é. Não proponho uma alienação, muito pelo contrario, não aceitar é o inicio de uma mudança. Como disse Luther King: "Eu tenho um sonho..." e até certo ponto eu prefiro viver nele.

Além do Preto e Branco

 

Toda a pessoa queanjodemonio afirma ter a consciência sempre limpa tem um grande problema, seja de mémoria, de credibilidade ou insanidade. Ninguém passa a vida fazendo tudo certo, mesmo que queira (e poucos querem). Somos maquinas de erros ambulantes, vamos sempre estragar tudo, vamos sempre ferir a quem amamos e vamos sempre atacar nossa sogras quem não gostamos.

Isso não nos faz pessoas más, isso nos faz pessoas. Errar sim, mas querendo acertar. O inferno está cheio de boas intenções, mas as más ainda são a maioria. Alias, essa forma de enxergar o mundo entre “bem” e “mal” é tão superficial quanto olhar os astros com uma lupa. Ficou confuso? Bem, nenhuma ação, gesto ou pessoa é completamente ruim ou boa, fora as sogras. Somos bem mais difíceis de explicar do que isso. Por exemplo, quando damos um presente, isso é bom ou ruim? Podemos dizer que é bom pois agradamos a alguém. Porém sempre agradamos aos outros querendo algo em troca, (os troianos que o digam) nem que seja atenção. Então é ruim? Não, podemos analisar inúmeros aspectos e nunca teremos uma resposta simples, única e totalmente satisfatória.cavaloTroia
Quando dividimos o mundo entre o bem e o mal automaticamente estamos sendo juízes das vidas e ações alheias. Passando assim a enxergar somente os rótulos que pregamos. Quem disse que a mentira é algo tão ruim? Tente passar um dia sendo totalmente sincero. Quem disse que ajudar é sempre bom? Podemos estar poupando os outros de experiências importantes. Quando taxamos alguém temos sempre um pré-julgamento de todos seus movimentos, como se todas suas ações emanam do seu núcleo de maldade ou bondade. O pior é que com o tempo algumas pessoas se acostumam tanto com a visão que os outros têm dele que as adotam para si.

corNão seja tão simplista e ignorante, o mundo tem muitas cores pra você se limitar ao preto e branco. Não julgue, mas se for fazê-lo (maldita mania social) que seja com o mínimo de inteligência e sensibilidade. Não somos demônios, muito menos anjos, somos uma mistura do melhor e do pior, somos um banquete de ações e intenções variadas. Saiba que você vai fazer o que não devia, e isso é normal, anormal é nunca errar, anormal é não querer sempre melhorar. Tenha certeza que você nunca será perfeito, então se faça um favor e não espere a perfeição alheia.

Cordeiro em pele de lobo

rebanho

Somos animais, alguns dizem que os mais racionais, outros que os menos. Alguns dizem que somos criados a imagem e semelhança de Deus, outros que somos primos bizarros dos macacos. Essas questões não vêm diretamente ao caso, mas sim o consenso de que somos animais, independente de nossos títulos de nobreza. Animais formam  grupos, manadas, cardumes, alcateias, enxames, etc. Nós humanos temos varias formas e motivos para nos coletivar, equipes de trabalho, turmas de farra, grupos de estudo, redes sociais, círculos de amizades. Alguns agrupamentos úteis, outros prazerosos, mas grande parte perigosos.

 

não importa a multidão,só Deus sabe o que eu precisoAs pessoas quando se juntam tendem a se homogeneizar, passam a se enxergar como um todo, dão apoio e ganham coragem. Muito bonito, mas não se engane. Dar coragem a quem não sabe criar a própria é jogar álcool numa chama. Dê motivação, mas não um propósito a um idiota e ele fará a maior das idiotices. Essa força vinda do coletivo não escolhe intenções,  age ao sabor do primeiro grito na multidão. Sobre a vontade do primeiro líder improvisado, ou pior, do primeiro manipulador  e inflamador.  Ao sentir a coragem o covarde se sente embriagado e segue a primeira idéia que surgir, por melhor, mais insana ou antiética que seja.

 

As turbas já se formaram em prol da ecologia, do protesto político e outras razões “nobres”. Assim como se formaram pelo racismo, pela violência e outra razões ridículas. Existem hoje até turbas virtuais. Multidões já decapitaram95228428_0b442e4fc0 reis na Inglaterra, e ainda atacam "rainhas" na atualidade. Revoluções foram fomentadas por esse sentimento, e índios foram queimados vivos pelo mesmo. Enquanto indivíduos a culpa de nossas ações é unicamente nossa a carregar, quando somos um grupo a culpa é de todos, mas não pesa a ninguém. O limite do bom senso desaparece e tudo é valido, pois não fui eu que fiz, fomos nós que fizemos. E por alguma lógica torta e imoral isso alivia a consciência humana. 

O formal, a moral e o normal


Desde pequenos ouvimos falar do formal, da moral e do normal. A santíssima trindade do comportamento social. Na tentativa de se mostrar superior aos outros animais, nós humanos resolvemos criar regras. Regras que nos dizem o que fazer, quando fazer e como fazer. Uma tentativa de manter sobre controle nossos instintos, desejos e necessidades.
O formal já é um conceito originalmente ambíguo, e já trás uma mentira na sua fonte. O formal é o comportamento que você deve mostrar em frente às pessoas importantes e desconhecidas, mas que você não precisa seguir caso esteja com pessoas ordinárias e da sua convivência. Ou seja, finja ser quem você não é até que te conheçam o suficiente e você possa mostrar sua face. Uma mentira, como várias outras, necessária, pois causaria enorme estranheza e surpresa em uma sociedade acostumada com mascaras, ver a verdadeira face de alguém em seu primeiro contato.
Nada mais tenebroso que defensores ferrenhos da moral e os bons costumes. Pessoas aparentemente sem vida, que se alimentam da desaprovação do comportamento alheio e da crucificação da diversão. Mas o pior dos patrulheiros da moral é que, dadas raras exceções, são eles próprios os maiores imorais. Entende-se moral como um conjunto de regras criadas e aceitas por uma sociedade em determinado tempo e espaço. A moral não está escrita, encontram-se fragmentos desta nos livros sagrados e jurídicos, e alguns reflexos mais atuais na literatura de cada época. Fora isso a maior parte da moral continua a ser subjetiva e consequentemente manipulável. Consideramos moral o que nos convém, e imoral o que convém ao próximo. Cobramos a moral alheia, enquanto torcemos para que não enxerguem nossa desobediência a mesma. E taxamos de imoral tudo que queremos fazer, mas não temos coragem pra tal. Trocando em miúdos: Moral nos olhos dos outros é refresco.
Nada me causa mais estranheza que o normal. Eu sempre achei que a pessoas que parecem normais demais, no fundo são as mais insanas. Só consegue ser notoriamente normal quem utiliza de um extremismo doentio para alcançá-lo. Durante uma criação “clássica” tentasse sufocar o natural para criar o "normal", nesse processo sentimentos são espremidos e transformados em problemas e falhas psicológicas, criando-se lobos em pele de cordeiro. Certas pessoas aparentam a normalidade sem serem necessariamente malucos, esses não são normais, são simplesmente chatos. A normalidade e a chatice se confundem, por terem como sintomas hábitos cansativos e entediantes. Sendo assim o seu normal deve ser natural, fazer o que se deseja e o que te faz feliz, desde que não prejudique os outros.
Formal, moral e normal, nomes diferentes, mesmo objetivo. Tentar manter o rebanho sobre controle, os pensantes sem seguidores e os ignorantes como estão. Não se apegue a essa regras arcaicas, seja justo consigo e com os demais, o resto meu amigo é problema seu.

Esperança pra quê?



Quem criou a esperança? Por que a fez tão ávida de vida? Ela é realmente sempre a última a partir; alegria, oportunidade, razão, todos moribundos deixados pelo caminho. Sem a esperança seriamos ridículos desertores. Nenhuma causa vingaria, pouquíssimas paixões explodiriam, nenhuma torcida existiria. Mas repito: precisava tanto? Às vezes, ela me parece inútil, uma forma de me manter preso aos erros que estou cometendo. Um orgulho ignorante de dizer: eu desisto! Um medo incompreensível da falha, do erro, de não ser capaz.
A minha esperança então é erva daninha. Agarro-na com as mãos e arranco até a raiz, mas, teimosa, brota e se espalha pelo jardim. Não que eu deva somente reclamar. Quantas vezes lutei, apanhei, mas ganhei! Quantas bocas fugiram, mas beijei! Quantas pessoas imaginei perdidas, mas as reencontrei! Inúmeros sucessos, mas não tantos quanto as vezes que somente apanhei, somente fugiram, somente perdi.

A esperança é econômica, com uma migalha faz um banquete. Às vezes parece falecida, puro engodo. Ela mais nada faz além de mudar de terreno, e buscar solos mais férteis nos quais germinar. Como uma semente seca aguarda uma gota de água, ou lágrima, para que lhe restabeleça a vida e então encontra nova flor à qual se apegar. Na verdade então nunca perdemos a esperança, a trocamos de lugar, mesmo que não saibamos aonde guardamos.

Eu e a esperança temos um caso de amor malandro, daqueles em que se apanha, mas não se vive sem. Graças a ela fui ferido, pisado e diria, até, humilhado. Mas como não amá-la? Como não amar a voz que ao lhe ver no chão sussurra: Levanta? Como não amar esse sentimento que cochicha ao pé do seu ouvido seus mais deliciosos desejos? Como não amar esse apoio cego, que se nega a nos abandonar? Como não amar a nossa própria vontade de viver? Se com a esperança sofremos, sem ela somos apenas um saco vazio em meio a um redemoinho.
 
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